Belezas da amada




Ele
Ah! Como és bela, minha amiga!
Como estás linda! Teus olhos são pombas,
por detrás do teu véu.
O teu cabelo é como um rebanho de cabras
que descem do monte Guilead;
Os teus dentes são um rebanho de ovelhas,
a subir do banho tosquiadas:





todas elas deram gémeos
e nenhuma ficou sem filhos.
Como fita escarlate são teus lábios
e o teu falar é encantador;
as tuas faces são metades de romã,
por detrás do teu véu.




O teu pescoço é como a torre de David
erguida para os troféus:
dela pendem mil escudos,
tudo broquéis dos heróis.
O teus dois seios são dois filhotes gémeos de uma gazela
que se apascentam entre os lírios,
antes que rebente o dia
e as sombras desapareçam.






Quero ir ao monte da mirra
e à colina do incenso.
Toda bela és tu, ó minha amada,
e em ti defeito não há.
Vem do Líbano, esposa,
vem do Líbano, aproxima-te.
Desce do cimo de Amaná,
do cume de Senir e do Hermon,
dos esconderijos dos leões,
das tocas dos leopardos.
(Nova Bíblia dos capuchinhos - Cântico dos Cânticos)

A caminho de casa...

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:



Não sabia por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

(...)
(Vinicius de Moraes)